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  31 de Março de 2008 | 14:43
Políticos e Artistas

Sempre evitei adotar a estética e a liturgia que se usa em atividades políticas: comícios, showmícios, caravanas de políticos com assessores, claques etc. Alguma coisa me parecia estranha. Eu sempre me perguntava: “Por que, de repente, uma pessoa passa a ter um comportamento diferente do usual após se tornar político? Por que o mundo da política tem uma estética e uma liturgia diferentes?”

Ao longo do tempo foi se cristalizando uma idéia de que, no fundo, no fundo, a maioria das pessoas que entra na política gostaria de ser, na verdade, um artista. De preferência, um cantor. Porém, como ela não sabe cantar, o caminho mais fácil é ser político, porque a estética e a liturgia são muito parecidas. Vejamos.

A estética de comícios e reuniões políticas em geral compõe-se de: um palco, um microfone, um público e um ambiente de show. Tal como num show artístico.
A liturgia também é parecida:
a) há música, locutores, “tietes” esquentando o clima para o grande momento.
b) De repente, o locutor anuncia: “E agora, com vocês, o...FULANO DE TAL”  (palmas)
c) O político procura emular emoções com seu discurso.
A única diferença litúrgica é que como o político não sabe cantar, ele discursa.

Às vezes, a liturgia aproxima as duas formas de expressão (artística e política). São os showmícios. Acredito que, nessas ocasiões, os políticos se sentem realizados (está entre “pares”). Mas essa realização é ilusória. Um showmício é, na verdade, um show como outro qualquer, em que o “preço” da entrada é “suportar” o discurso dos políticos no meio das apresentações dos artistas.

Para mim, política não é isso. Vez por outra, quando o momento exige, os discursos são necessários para motivar mudanças de inércia. Na maior parte do tempo, ao invés de discursos, são necessárias reuniões onde se procura identificar o que nos une (consensos) e o que nos divide (dissensos). O “valor adicionado” dos políticos é enfatizar os primeiros (consensos) e regulamentar os segundos (dissensos). Essa tarefa dos políticos é algo nobre, trabalhosa e difícil.

Por isso a abordarei em outra ocasião, com mais profundidade.
Mas que a maioria dos políticos gostaria de ser artista, gostaria.

 
 
Comentários

29/04/2008 - William Moraes - Jacareí - SP

Parabéns Deputado. As suas palavras são os sentimentos de todos nós. O modo que o Senhor faz política, indo até a população, creio que é forma mais coerente e correta, sem as "baboseiras" que escutamos em Showmicios. Mais uma vez parabéns e continue desta forma.

29/04/2008 - Abgela Tornélli - São Jose Campos - SP

Falando em liturgia, gostaria de incluir aí a questão (delicada) das igrejas. Quem não cosegue ser artista também vai ser padre, pastor..., aí vira deputado, vereador...

07/04/2008 - Roberto R. do Prado - jacarei - SP

Realmente o Senhor Deputado tem razão, gostei dessa analogia entre políticos e Artistas e penso que seria muito melhor se esses mesmos Políticos, com suas Caravanas de promessas em épocas de eleições, cumprissem um terço de seus discursos entoados em fervorosos versos em defesa das nossas causas e nescessidades. Quem dera Senhor Deputado que ao tirarem suas canetas CROWN para dar um autógrafo, tivesse como objetivo deixar a marca em projetos e Leis que realemnte trouxesse a felicidade tal qual um verdadeiro Artista realiza e faz juz ao dom e consagração permitida por nós na hora do voto. Parabéns ao Senhor Deputado e que continue assim do nosso lado sempre!!!!

04/04/2008 - Sandra - SJCampos - SP

Parabens pelo blog deputado. Está muito criativo. Continue firme em seus propositos.

04/04/2008 - Luiz Mansur - São Paulo - SP

Nobre Deputado, Parabéns! O fato retratado realmente ocorre por essas vias, e Senhor pode vir mais uma vez com uma crítica construtiva a serviço da ética na política. Continue assim! Já é meu blog preferido. Todo dia eu entro a procura de novos textos. Saudações joseenses de um ex-morador orgulhoso da cidade.

04/04/2008 - Michel - Jacareí - SP

Concordo com o leitor acima. Os textos estão bastante legais. Continue sempre em exemplo de ética e honestidade, deputado.

01/04/2008 - Demétrius - São José Campos - SP

Prazado deputado. Concordo com o senhor. Infelizmente, a grande maioria dos nossos políticos são muito desafinados. Parabéns pelo blog.

01/04/2008 - Josias - Guaratinguetá - SP

Acho que o senhor está certo. Showmicio e discursiera só servem para políticos que não tem propostas para a população e se escondem atrás disso.

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  25 de Março de 2008 | 11:03
A adolescência social de nossas elites

Boa parte das elites de nosso país têm um comportamento sociológico interessante. Acreditam em algumas coisas que, quase sempre, nos fazem tomar um “atalho” mais complicado, mais longo. Temos uma complicação típica do adolescente. Aliás, se essas elites fossem uma pessoa, seria um adolescente:

n acha que tem um grande futuro mas não o persegue com tenacidade;
n acredita que a história começou ontem;
n acredita que a singeleza de seus propósitos é suficiente para mudar o mundo para melhor.
n Fica procurando provar que o outro não é perfeito.
n É uma vontade à procura de uma idéia.
n Transforma qualquer pequeno problema em “problemão”.
n É autoritária e acredita que o que está errado são os outros (“o brasileiro é burro”, o brasileiro não sabe votar” i.e., sempre se excluindo);
n Acredita (na verdade é uma “cisma”) em coisas nebulosas onde não há “fio-terra” com a realidade.

Aliás, essa “cisma” faz com que algumas leis e princípios lógicos não funcionem muito bem por aqui:
n  a lei de oferta e demanda é tida como uma  manipulação ideológica;
n  a relação causa – conseqüência somente é admitida quando convém;
n  a soma das partes nunca dá o inteiro;
n  os horários de encontro nunca são na hora aprazada; o horário é sempre mais ou menos.

Essa “cisma” é meio estranha. Ainda mais supondo que as elites brasileiras têm acesso à ciência e ao conhecimento. (Suspeito que isto seja em razão da “Anomalia Magnética do Atlântico Sul”. Sei não!?)

Mas eu sou otimista. Na medida em que vivenciamos a alternância dos vários partidos no exercício do governo federal, a experiência irá nos mostrar que não existem “atalhos” ou soluções mágicas. Acredito que, em alguns anos, chegaremos à “Idade da Razão”. Vou continuar malhando em ferro frio.

O Brasil não é só isso. O Brasil vai melhorar.

 
 
Comentários

09/05/2008 - Junior Dalalio - são josé dos campos - SP

Muito bom Deputado!!! Pude vivenciar sua competência na administração de São José, suas idéias são reflexos de uma necessidade social emergente, pois estamos tentando nos mirar em bons exemplos principalmente de nossos governantes, haja vista que vivemos numa sociedade capitalista com grandes desigualdades e que precisa de justiça social e de esperança para que não se percam e cometam atos errados. Valeu!!!

07/05/2008 - fabiano - São Francisco Xavier - TO

parabens Dep; pelo seu trabalho .. mas eu gostaria de pedir uma ajuda no nosso distrito SFXavier a nossa comunição via celular é pessima nos ajua 12 9717 7535

30/04/2008 - Mauro Flávio Cipro - São José dos Campos - SP

´Prezado Deputado Emanuel, como sempre seus testos e idéias continuam cada vez mais lúcidos , coerentes e inteligentes o que me da cada vez mais orgulho de ser seu correligionário em São José sempre acompanhando suas palestras e seu blog.Agora a luta é para reeleger o Couri . Aquela metáfora sobre o futebol foi genial lhe falei pessoalmente . O Sr. acabou dando sorte pro meu Palmeiras, domingo seremos ( ? ) campeões se Deus quizer. Abraços com orgulho , Mauro Cipro

29/04/2008 - Valfrides - São José dos Campos - SP

Sr. Deputado Parabéns pelo blog estou certo de que a tarefa colocada diante de nós não esta acima de nossa força(...).enquanto tivermos fé em nossa causa e uma insuperável vontade de vencer , a vitória não nos será negada". Após conhecer você percebi que pessoas boas precisam ocupar cargos politicos para não deixar espaços para aproveitadores.

28/04/2008 - Nivaldo Lopes da Silva - São Francisco Xavier - S.José dos Ca - SP

Emanuel, peço desculpas pelo tratamento informal, mais uma vez vejo na sua simplicidade de sempre a clareza com que vê os problemas de nossa política. Seu exemplo somado a sua competência sem dúvida, um dia, contagiará seus companheiros.

29/03/2008 - Renato Alves de Andrade - Salvador - BA

Sr.Deputado, Esta idade a que se refere, leva-nos a reflexão que no dia 31 próximo faz 44 anos que esta elite levou a nação ao retrocesso político e cujo resultado o povo Brasileiro viveu cerceado por todo este tempo no seu estado de direito. Está já na Constituição do Império o direito ao ensino, e temos analfabetismo elevado; As reforamas estruturais existentes foram feitas no regime militar, resta-nos o custo Brasil por todos reclamados. Abraço fraternal

26/03/2008 - Almir - São Jose dos Campos - SP

Parabéns deputado pela sua inteligência ao tratar de temas nacionais tão importantes. E continui sempre assim, com sua honestidade e idoneidade.

26/03/2008 - Silvia Barths - Rio de Janeiro - RJ

Acessei agora o seu blog indicado por um amigo e gostei muito. Não o conheço, mas fique satisfeita em saber que ainda podemos contar com homens públicos sérios e bem-intencionados.

26/03/2008 - Nelson - Guaratinguetá - SP

Caro deputado. Parabéns pelo blog e plas idéias que defende. Não votei em você, mas admiro sua competência e seu exemplo.

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  17 de Março de 2008 | 17:34
Este País

Muito tempo atrás, vi uma análise abordando o porquê de muitas pessoas se referirem ao Brasil como este país. Não me recordo direito da análise, mas a partir de então, sempre que se referem ao Brasil como este país me soa estranho.

Se o nosso país tem nome porque o chamam de este país? Até o nosso presidente da República usa e abusa desses termos: “Nunca antes neste país...”

Embora seja até corriqueiro, vejo razões mais profundas quando as pessoas o utilizam, sobretudo, em circunstâncias políticas. O que elas querem expressar é um certo distanciamento de coisas negativas: o Brasil delas está certo, mas o Brasil dos outros, não. Ou ainda, “não sou responsável” pelo que aconteceu no Brasil.

Acredito que o uso do termo este país revela uma falta de comprometimento com o Brasil, o que dificulta a formação da Nação brasileira.

Fico imaginando uma situação análoga na família: experimente chamar sua esposa (seu esposo) não pelo nome, mas como “esta senhora” (“este senhor”). Muito provavelmente você receberá uma forte repreensão, senão um sopapo. Isto não se faz em família. Nela, há comprometimento.

No embate político até concordo que algumas vezes se utilize dos termos para responsabilizar o adversário por erros cometidos com relação ao Brasil, ou para marcar posição de diferença de visão a respeito dele.

Mas, no dia-a-dia, as partes deveriam evitar isto e mostrar comprometimento com o Brasil (ele é de cada um e de todos).
Não concordo, em absoluto, que o nosso presidente use, constantemente, este país para se referir ao Brasil.

Senhor presidente: Este país tem nome. Ele se chama Brasil e o senhor é seu presidente.

 
 
Comentários

13/04/2008 - Rondinelli Alves de Andrade - São José dos campos - SP

Bom sabe Emanuel eu trabalho em uma grande empresa, em SJCampos, adoro a cidade, mas não gosto do Brasil. Certa vez falei sou do Rio Grande do Sul, para o Robert um americano, e ele perguntou Where is it? eu respondi, Norte do Uruguai. Tudo esse sentimento e por causa da politica.

21/03/2008 - João Bosco - Batatais - SP

Caro Deputado Emanuel Fernandes Fico feliz em acessar seu blog, creio que sua iniciativa aproxima o cidadão comum de seus representantes. Como membro do Diretório Municipal de minha cidade agradeço a lembrança. Serei leitor frequente. http://blogdojbosco.blogspot.com/

19/03/2008 - Joao Vitor - São José dos Campos - SP

Parabéns pela iniciativa deputado. O senhor vem fazendo um trablaho correto, mas precisa aparecer mais. Se sucessor Cury não tem o mesmo brilho e enfrenta vário problemas. O povo nã está satisfeito não.

19/03/2008 - Junior - Caçapava - SP

Infelizmente é essa a postura daqueles que insistem em enganar a Nação. Parabéns pelas idéias deputado. E não se esqueça de Caçapava. Um abraço.

18/03/2008 - Jorge - SJCampos - SP

Nunca na história deste país já virou até piada. E acho que o senhor tem razão: demonstra o distanciamento do presidente e a Nação. Parabéns pelo blog.

18/03/2008 - Erasmo - Caraguatatuba - SP

Caro deputado sua análise está correta, mas lembre-se que o povão que elegeu Lula duas vezes não está nem aí para isso. Continue com sua postura correta e ética. Seu admirador. Erasmo

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  11 de Março de 2008 | 15:33
Classes Médias

As classes médias não gostam do Presidente Lula e de seu governo. E o Presidente Lula e seu governo ainda não entenderam os motivos.
Vou ajudar o Presidente e seu governo a entenderem isso.
As classes médias têm um profundo senso de que o trabalho duro precede o sucesso. Elas herdaram esse senso de seus pais e avós que foram pobres. Elas batalham no dia-a-dia do trabalho árduo, do esforço, do estudo, do aprimoramento profissional, da disciplina no trabalho para melhorar de vida e honrar o legado de seus pais e avós.

O que eles não suportam é que o atual governo, e o Presidente Lula à frente (que também ascenderam à classe média como elas), subvertam esse legado com suas políticas populistas. Mais do que isso. Elas perceberam que os membros do atual governo, para se legitimarem perante as pessoas mais pobres, comportam-se como se fossem pobres: no linguajar, nos discursos e no comportamento aparente.

Mas elas sabem (e muitas vezes ficam furiosas com isso) que de pobre eles não têm nada.

Vivem de jato para cima e para baixo, de cartões de crédito milionários, da falta de esforço para se aprimorarem, de carrões oficiais último tipo, enfim, vivem como os antigos “bacanas” (dos tempos de seus pais e avós) que travavam o país.
 
Consequentemente, os “neo-bacanas” as fazem lembrar do quanto elas tiveram que se esforçar para subir na vida. O que as classes médias não suportam é essa impressão que os membros do atual governo passam: o de que, no almoço e jantar, chupam pé e pescoço de frango, têm uma vida simples e difícil, andam de “bondão”, acordam de madrugada para ir trabalhar, ganham pouco.
Elas sabem que isso não é verdade. Elas sabem que essa filosofia de “Almanaque Biotônico Fontoura” do presidente é populismo barato para se legitimar junto às pessoas mais simples.

O que elas não suportam é que elas continuam a se esforçar para melhorar de vida e que o atual governo usa desse esforço para arrumar recurso para seus programas improvisados e com isso faturar politicamente sem agregar valor. Somente o conforto da distribuição.

Elas se sentem no trapézio difícil da produção e o governo no conforto da bilheteria da distribuição. Elas estão no trapézio e o Presidente Lula e os membros do seu governo, na bilheteria.

Se o Presidente e seu governo mostrarem  austeridade (gerencial e moral) e valorizarem o espírito empreendedor, talvez as classes médias parem de não gostar deles.

 
 
Comentários

16/03/2008 - Joaquim - jacarei - SP

Me idendifiquei com o texto e fiquei ainda com mais raiva do modo de governar Lula, quem se irrita com o governo Lula nao é contra ajudar as pessoas, pois elas tambem ajudam, o que irrita é o famoso fazer bonito com o chapéu alheio e ainda se benificiar com isso, sair com cara de bonzinho como se fosse o rei inatingivel, este formato é extremamente prejudicial ao futoro, ele alimenta a formacao de um povo com pouco espirito crítico acomodado nos favores sem contrapartida. Por outro lado nao adianta a classe média reclamar a distância ela tem que arregassar as mangas e gastar um pouco mais de tempo conhecendo a politica ao seu redor ampliando sua atuacao ajudando a construir liderancas que possam faze a diferenca.

15/03/2008 - Plínio - São José dos Campos - SP

Extamente o que passou pela minha cabeça quando o nosso presidente criticou dias atrás a elite brasileira, como se não fizesse parte dela. Não há como se chegar ao cargo máximo da nação e continuar sendo pobre de marré e precisando de bolsa eleição. Infelizmente no Brasil parece que ser um vencedor é uma doença grave e contagiosa e precisa ser escondida do povo. Será que é por que a maioria passe ao patamar das classes mais favorecidas por meios ilegais ou inescrupulosos? Enfim, é lamentável ver o nosso comandante mor escondendo sua própria realidade.

14/03/2008 - José Fonteles - Ribeirão Preto - SP

Boa deputado. O Lula e o PT agem dessa forma há mais de 20 anos. Comemoram agora o aumento do PIB, mas o Brasil continua crescendo abaixo dos outros emergentes.

12/03/2008 - Giovani - Pindamonhangaba - SP

Deputado Emanuel. Parabéns por colocar o dedo na ferida. É disso que estamos precisando. Discutir essas questões com coragem e ousadia. Lula e seus companheiros só dão mau exemplo, o tempo todo.

12/03/2008 - Jair Gomes de Sá - Vitória - ES

Deputado, seus comentários são muito lúcidos, mas creio que terão pouca repercussão porque o brasileiro pensa pouco. Assisto a TV Câmara e o senhor aparece pouco. Tem que aparecer mais para dinfundir suas idéias. Boa sorte.

11/03/2008 - Paulo Vítor - São José dos Campos - SP

O nobre Deputado parece que leu nosso pensamento. Tanto esforço para nos estabelecermos - honestamente - e o governo federal "tunga" nossa contribuição para "dar aos probres". Estamos realmente cansados de ver o dinheiro do imposto pago sendo distribuido sem critério, sem perspectiva de um real crescimento dessa gente. Pessoas sofridas sim, mais que se tivessem oportunidades, poderiam mudar para melhor.

11/03/2008 - Paula - Campinas-SP - SP

Excelente o seu post, afinal, foi bem em cima do que comentei no anterior, a nossa luta inglória, por melhores dias, enquanto os "velhacos" que nunca se esforçaram tomam vinho francês às nossas custas. Quanto ao comentário anterior do colega de SJC, está corretíssimo, só que quem está afanando o nosso dinheiro (impostos), não são os pobres, mas os espertalhões comunistas para os bolsos deles, os pobres estão sendo iludidos com o bolsa voto.

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  05 de Março de 2008 | 14:29
Lições de nossa gente

No artigo de estréia de meu blog, fiz uma analogia irônica sobre como seria o futebol brasileiro se as “políticas públicas” em moda no Brasil fossem aplicadas a ele. Faço agora uma análise de como seria o Brasil, se fizéssemos o contrário, ou seja, se tirássemos as lições do nosso sucesso na “indústria do futebol” e as aplicássemos em outras áreas.


Para mim, o que nos atrapalha nessas outras áreas é a tutela sobre o povo brasileiro e tudo o que advém dela: o excessivo regramento, ao invés da carta de princípios; a difusão da crença de que existem tanto o “inimigo do povo” e o “Salvador da Pátria”, ao invés da valorização do esforço e do conhecimento; o medo da (boa) competição etc.


O economista Michael Porter, em seu livro “A vantagem competitiva das nações”, faz uma análise brilhante dos motivos que levam determinadas nações serem mais competitivas que outras em segmentos industriais. Exemplos não faltam. A indústria de entretenimento e de software nos EUA, robótica no Japão, seguros na Inglaterra, equipamentos óticos e material de impressão na Alemanha etc. Acredito que se aplicarmos a teoria de Porter à “indústria” do futebol brasileiro encontraremos as razões de nossa competitividade nesse esporte.


Não quero, neste espaço, fazer uma análise rigorosa da teoria, no futebol brasileiro —  algum dia eu ainda vou fazer essa análise, na academia. Gostaria de apontar alguns elementos:
1) O prestígio nacional/regional/local dos jogadores de futebol.
2) Os altos salários pagos aos bons jogadores.
3) A intensa rivalidade que existe entre jogadores e entre times, em nível:
a) regional: Corinthians x Palmeiras, Fla x Flu, Grenal, Galo x Cruzeiro, etc
b) nacional: Paulistas x Cariocas; Gaúchos x Mineiros, etc
c) internacional: Brasil x Argentina.
4) A demanda (torcida) exigente.
5) O constante aprimoramento de nossos craques que desenvolvem “novas tecnologias” para driblar, se movimentar em campo, bater faltas, etc
6) A busca da excelência (o que importa é ser campeão, mesmo que local).


Credito essa nossa excelência no futebol ao fato de que quase todos os brasileiros conhecem as regras do jogo — tanto para saber jogar quanto para fazer sucesso, se for talentoso. Qualquer menino, em qualquer lugar do Brasil, quando percebe que é bom de bola, já sonha e se esforça para jogar num Barcelona, Milan etc. e com isso ganhar muito dinheiro. Ele sabe que depende somente dele. Ele corre atrás do seu sucesso.


Não existe brasileiro que, tendo talento para o futebol, deixou de realizar o seu sonho por desconhecimento ou por falta de “políticas públicas”. O brasileiro não espera o Governo, as leis, os políticos ou as verbas públicas para correr atrás do seu sucesso no futebol.


Por outro lado, me pergunto: Quantos brasileiros talentosos para outras áreas (serviço, comércio, indústria etc) não deixaram de correr atrás de seu sucesso à espera das “elites”: governo, leis, políticos, verbas públicas, “políticas públicas” etc?


Acredito que, a exemplo do futebol, devemos:
1) incentivar os sonhos dos nossos jovens;
2) valorizar os jovens que se esforçam para alcançar os seus sonhos;
3) simplificar as leis e valorizar os princípios claros e simples.
Enfim, devemos parar de tutelar nossa gente.

 
 
Comentários

19/05/2009 - ceteris - Brasilia - DF

Combina perfeitamente, é a sua cara senhor, falar em "GERENCIAMENTO E MORALIDADE". Assuntos sérios estreitamente ligados à administração da coisa pública. Muito bonito o senhor falar em moralidade e colocar um funcionário de hospital público(dentro do hospital público) fazendo plantão particular e exclusivo para a senhora sua esposa que vai na calada da noite receber medicamento de DOIS MIL REAIS QUE É NEGADO AO USUÁRIO COMUM, MORTAL(que "pode" morrer). Isonomia, moralidade, princípios básicos da administração pública que o senhor pode facilmente passar a conhecer lendo um livro, o difícil é a vida real. Fazer o que, privilégios, uns filhos da puta são filhos da viúva,outros só filhos da puta mesmo, outros nem sabem de quem e nem querem...

13/03/2008 - Flavio Barbosa - SJCampos - SP

Caro Emanuel, Muitíssimo apropriada sua comparação de valores e regras entre as oportunidades do futebol e do país em geral. Veja que sem (quase) nenhuma tutela estatal somos capazes de revelar gênios brilhantes deste lindo esporte, se houvesse então uma organização mais séria e pragmática dos clubes e CBF o que não aconteceria? Já olhando o Brasil esse dá pena e tristeza... quanto trabalho temos ainda pela frente, quanto dever de casa precisamos fazer ainda para aprender... somos um rascunho muito mal feito de uma sociedade, nação desenvolvida e civilizada. Desejo muito sucesso para ti, muita lucidez e paciência, muita firmeza e lealdade aos princípios que o levaram até aí. Sinceramente, Flavio Barbosa

10/03/2008 - Dornellas - Belo Horizonte - MG

Parabéns pela inteligência e visão, deputado. O PSDB e o Brasil precisam de mais pessoas como o senhor. Um abraço e parabéns.

10/03/2008 - Mirtysiula Cadengue - Jaboatão dos Guararapes - PE

Você foi feliz com a análise e comparação entre futebol e políticas públicas. Parabéns!!

10/03/2008 - Renato Alves de Andrade - Salvador - BA

Sr. Emanuel, O futeboi no Brasil tinha obrigação de ser uma indústria próspera, porém, o qe vemos é: Os clubes de Futebol com dívidas enormes, inclusive com APROPIAÇÃO INDÉBITA

10/03/2008 - Renato Alves de Andrade - Salvador - BA

Os clubes de Futebol deveriam ser uma indústria próspera porem o que vemos é um verdadeiro descalabro tanto é que o Governo lançou uma loteria para tirar da SOCIEDADE dinheiro para os CLUBES sairem da posição de APROPIAÇÃO INDÉBITA qunado cobram no BORDERÔ dos jogos o INSS e não recolhem. A CPI do futebol virou uma peça cujo relatório foi desmoraliuzado. Os estádios de futebol estatizados somente da prejuizo aos estados. Porque não priatizam?

10/03/2008 - Pedro Escada - Rio de Janeiro - RJ

Interessante sua abordagem e pensando nos jovens que gostaria de chamar sua atenção para o RJ, sei que representa SJC e SP, mas como homem público gostaria q viesse a cidade do Rio e olhasse p a cidade marvilhosa, porém FEIA! Um contra-senso de beleza e hoje largada por ausência dos governos. Muita pobreza, sujeira, velhos e JOVENS mendigos dormindo e fazendo suas necessidades em qualquer lugar, triste de se ver. Precisamos por um fim nisso! Muita mão-de-obra desqualificada, muita corrupção, muita favela, precisamos pensar no Brasil como um todo e por fim as misérias que nos cercam com governo e principios claros e simples, sim. As leis precisam "pegar" aqui tbm. Quando votar na câmara lembre-se que o Haiti é aqui! Parabéns pelo BLOG!

09/03/2008 - Ana Célia Nascimento - -

Sr. Emanuel, como joseense de moradia e como ex-Prefeito, solicito que estudo, bem como dê sugestão para seja decretada como exemplo de SJC e SP o pioneiro a dar licença com remuneração de 3 (três) dias a doadores de medula. No País todo, e se não me falha a memória para doadores de sangue é de direito o bônus de 1 dia, visto que a doação de medula é mais delicada pelos exames e disposição de estar 1 dia todo no hospital. Informo que já fiz menção do mesmo a Sec. de Admistração da PMSJC Sec.Benyr.Após o feriado serei a primeira doadora não para o Banco, mas se possível para a filha de uma amiga e como exemplo já consegui + 20 pessoas amigas e funcionários públicos que aguardam a minha doação para depois seguirem também.Aguardo retorno

08/03/2008 - Cyro Laurenza - -

meu prezado companheiro tucano, recentemente estava filosofando com amigos, avaliando os tesouros escondidos que surgem em meio às nossas favelas, barrocas e sítios maltrapilhos. Como você aborda muito bem, no futebol encontramos milhares de exemplos e ai vem um pensamento. O fato de se descobrir em um garoto como Ronaldinho, excelência em futebol, ou ainda no Pelé, nosso rei, a arte que eles demonstram por acaso no pé, depende muito do que eles tem de potencial dentro do cérebro. Ao agirem dentro do campo daquela forma não tenha duvida que por detrás daquilo existe uma inteligência brilhante. Isto nós não estamos buscando, descobrindo, realizando. Surgem ao deus dará, sempre em caráter fortuito e sempre não aproveitado.

08/03/2008 - Paula - -

Penso como o senhor. Creio que já está na hora de começarmos a fazer este país mudar de cara...não uma cara bolivariana, cara de Chavez, Evo, Correa, Ortega...mas cara de brasileiro, um povo que luta, começando, òbviamente pela educação...sòmene assim poderemos crescer.Deveríamos começar valorizando as pessoas "que esquentaram o traseiro" nos bancos da escola" , ou seja não são preguiçosos. Toda pessoa para se candidatar deveria ter um nível compatível de estudo para galgar certos postos, tais quais, para Presidente da República, ministros, senadores, deputados federais, estaduais, secretários, governadores, seria obrigatório ter curso superior e para prefeitos e vereadores, o Ensino Médio-assim começaríamos a valorizar a educação

08/03/2008 - Geraldo Edson Alves - -

Acredito que o país precisa de um presidente que tenha um programa ja definido, creio que este candidato seja o nosso Governador Aécio Neves.

08/03/2008 - Andre Pagy - -

Prezado Deputado, Suas considerações são lúcidas e interessantes. Gostei muito. Parabéns com boas idéias que construimos uma nação melhor. Um abraço, Andre Pagy.

07/03/2008 - Rafael - -

Deputado, Quando o Sr. se cansar da vida de político (ingrata para os honestos como o Sr.), seja cronista político que terá muitos fãs (além dos que possui pela política).

07/03/2008 - Rogerio - -

Parabéns Emanuel pela análise. Mostra bem sua visão sobre a nossa realidade.

07/03/2008 - Pires - -

Caro deputado. Quem bom ter como nosso representante em Brasília um homem inteligente e preparado. Pode-se até não concordar com suas idéias, mas só fato de termos um político que pensa já é uma grande conquista. Parabéns aos seus eleitores que o colocaram lá com expressiva votação.

06/03/2008 - Wilson - -

Deputado concordo com o senhor porque quando foi prefeito aqui em SJCampos o senhor procurou valorizar suas idéias.

06/03/2008 - João - -

Deputado acredito que todo brasileiro se pudesse e se dependesse somente dele seria melhor. Mas as vezes ele luta, tenta, pede socorro e ninguem ouve ou o ajuda. Nessas horas ele fica dependente e ai tudo fica mais dificil, mesmo no campo do futebol, pois se ele ,futuro craque, não tiver um empresario que irá atras de seus interesses, dificilmente alcançará o Barcelona, o maximo que alcançará é a Portuguesa e mesmo assim através da velhas formula$$$$$.

06/03/2008 - Luiz Rafael Mansur - -

Comentário muito feliz, nobre deputado. Realmente, pra mim, estudante de direito, um dos grandes impasses para o crescimento de diversos setores é a burocracia criada por nossas leis e pelo sistema. O outro impasse de relevância seria exatamente essa cultura do apadrinhamento, do depender do Estado. Precisamos nos libertar dessas barreiras, e não continuar com aquela velha política muito bem definida pelo renomado poeta: "No meio do caminho havia uma pedra, havia uma pedra no meio do caminho"!!!

05/03/2008 - Robson - -

Concordo com você Emanuel. Porém se a presença do governo em algumas áreas fosse boa poderia melhorar as condições sim.

05/03/2008 - Viviane Alencar - -

Deputado, suas idéias são muito boas, mas de difícil aplicação, principalmente se levarmos em conta o nível dos governantes que nós temos. Continue em sua luta!

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