Inclusão social é educação. O resto
é lorota. Não é só dar aula, no sentido
clássico, educação é inclusão,
tem que pegar a pessoa e colocá-la num patamar melhor do
que ela se encontrava.
Ética para mim é ter uma Dona Maria sempre presente,
me observando. Essa mulher é a mistura de várias pessoas
que conheci ao longo das campanhas que participei. Simples, carente,
mas propositiva. E todas as vezes que eu vou decidir alguma coisa,
me faço a pergunta: “Será que a Dona Maria concorda?”.
Isso para mim é ética: defender quem não está
presente.
Numa família quando a situação está
difícil, em vez de um bife inteiro todos passam a comer meio
bife. Ter ética na política é você, como
representante do Poder Público, vigiar e não deixar
que ninguém coma bife escondido.
Nós políticos somos priorizadores, organizadores de
fila. Não tem dinheiro para tudo, isso é óbvio.
O que temos que ter é convergência de critérios.
Ser ético é fundamental para construir e estabelecer
um sistema de prioridades.
No Brasil, a gente faz uma força danada para não dar
certo. A gente tem uma metodologia para subdesenvolver o País.
A primeira delas é achar que alguém virá nos
salvar. A outra é acreditar que com uma boa lei o País
deslancha. Como se lei resolvesse o problema. Lei é pacto.
Quem resolve os problemas são as pessoas. É o trabalho
das pessoas.
No Brasil, o presidente acorda invocado e decide: “vamos fazer
um plano aí para a gente crescer”. Isso é de
um subdesenvolvimento atávico, juramentado, consciente, determinado.
Como se os planos resolvessem todos os nossos problemas.
A melhor indústria do Brasil é o futebol. Nós exportamos jogadores um atrás do outro. Por quê? Porque no futebol a população conhece as regras. O garoto se
é bom de bola, não se contenta com pouco, que jogar
no Barcelona, quer ganhar US$ 20 milhões por ano. No futebol,
somos competitivos, a gente quer mais, quer se desenvolver, a gente
é protagonista. Na economia, estamos esperando um plano.
Já pensou se inventassem um plano para desenvolver o futebol
no Brasil. O povo nos dá essa lição. Porque
no futebol ele é protagonista.
A gente tem essa péssima mania de escolher um bacana, que
fará um plano, que irá salvar o Brasil. Essa é
a chave do nosso subdesenvolvimento. Por isso é que temos
que despertar o espírito empreendedor em todos.